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Sobre clichês

  • 30 de jan. de 2015
  • 2 min de leitura

A televisão, o rádio, a internet e a vida tem uma coisa em comum: os clichês. Eles estão aí o tempo todo e já sabemos que a nossa vida só vai mudar quando levantarmos do sofá, que cada um tem que fazer a sua parte, que devemos ser a mudança que queremos no mundo.

Na verdade eu acredito nisso, apesar do esforço universal de me provarem que as pessoas "são assim mesmo" e isso é tudo.

De todas as qualidades que eu poderia citar de uma amiga, nada a descreveu tão fortemente para mim quando, em uma conversa de fim de tarde, ela disse "meus pais querem que eu tenha um consultório que atenda estrelas. Eu não quero isso. Quero ir na pobreza. Longe, onde as pessoas mais precisam". A nobreza que ela demonstrou nesse momento não teve preço, senti orgulho de tê-la fazendo parte da minha história. E me fez pensar em quantos colegas de classe à apoiariam nessa ideia.

Se a mudança que queremos no mundo não partir de nós, ela não virá de outrem. Enquanto a nudez de uma atriz global for mais importante que 26% de reajuste no salário parlamentar x 8% de reajuste do salário mínimo, eu duvido que chegaremos em algum lugar.

É fácil reclamar todos os dias do preço do combustível e continuar perdendo 4 horas por dia no transito, no conforto do seu ar-condicionado.

Assim como é fácil culpar o Estado pela falta de água quando em toda sua vida você só escovou os dentes com a torneira aberta. Eu sei, o Estado precisava fazer a parte dele, embora isso não te isente da responsabilidade.

Talvez os clichês tem se tornado o que são graças àqueles que preferiram revirar os olhos e dizer "aff que clichê". Eu prefiro acreditar que eles são a grande verdade ignorada por muitos pelo simples conforto de não pensar sobre isso ou qualquer coisa.

 
 
 

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