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Afeto

  • 24 de jan. de 2015
  • 2 min de leitura

A forma que os sentimentos tomam conta da vida humana é estranha. Num instante é o que o mantêm vivo, e, no outro, é o que faz desejar a morte.

Pelas veias do corpo, eles se espalham e tocam cada nervo, cada órgão, cada ponto. O seu coração, por mais que relute, não é forte o suficiente para expulsá-los. Você pode saber disfarçar o que sente, mas não pode se impedir de sentir. Até mesmo aqueles doentes que comentem crimes por seus psicológicos afetados, não o fazem por serem imunes a emoção, e sim pelo fato de senti-las intensamente ou por tem incomparável sensação de vazio dentro de si. De uma maneira ou outra, são essas sensações que os comandam, são elas que nos movem.

E toda vez que fecho meus olhos, a visão me abandona. Para substituí-la, inúmeras imagens de pensamentos sombrios e desorganizados tomam conta de mim. Vejo e revejo cada pedaço desse filme mental, sentindo sempre aquela estranheza correndo em mim, não sei como fazê-la parar. Talvez eu não queira que ela pare e talvez ela seja agora, mais do que nunca, parte de mim.

Como o bater de um tambor, ela vem forte. Como o vibrar da corda do violino, ela tem seu ápice. E mesmo quando parece ter desaparecido, é perceptível o pequeno e baixo resto de som que sai do instrumento, ou melhor, o pequeno e baixo resto de emoção. Aquela que sempre está ali, que como o som que se propaga pelo espaço, ela se propaga pelo seu corpo.

Não se sabe para onde vai ou o que irá fazer. Não se sabe o preço que pagará ou o que lhe custará. Não se sabe como desfazer-se dela. Não se sabe se quer deixá-la a parte. Não se sabe de nada. E enquanto você tenta descobrir respostas para suas perguntas ela se espalha dentro de você, inconscientemente, tirando todo possível controle sobre sua força ou ações. Ela se torna parte de você, se torna aquilo que lhe é necessário para viver.

 
 
 

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